V Congresso Internacional da ABDA & IV Encuentro Latinoamericano de TDAH
Nesta última semana estive presente neste encontro maravilhoso de médicos neurologistas, psiquiatras, psicólogos, educadores e portadores de TDAH.
Além de aproveitar a bela vista do Leblon e Ipanema, o congresso foi um verdadeiro encontro de inclusão.
'TDAH um compromisso de Todos".
Inclusive a deputada Mara Gabrilli, relatora do projeto de lei que dispõe sobre o diagnóstico e o tratamento do TDAH e dislexia na educação básica, esteve presente juntamente com membros da ABP discutindo o andamento do projeto e futuras evoluções.
Um dos primeiros simpósios o palestrante Paulo Mattos abriu discussão com o tema: TDAH: uma doença inventada?
Infelizmente, no Brasil existem diversos grupos de profissionais que desacreditam da ciência e questionam a existência do TDAH. Contribuindo para o preconceito com o correto diagnóstico e tratamento adequado medicamentoso. Prejuízo sem dúvidas do portador de TDHA, que além dos inúmeros prejuízos sociais, afetivos e profissionais, não chega a uma informação cientifica sobre a sua doença.
O Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade é uma doença dimensional, sendo um dos maiores fatores de risco a interação genética (76% crianças/ 30% adultos) com estressores pleiotrópicos (adversidades psicossociais). Existe uma grande sobreposição de TDAH, autismo e dislexia.
A atual engenharia social do Brasil é um dos principais fatores que contribuem para um total descredito sobre a doença e seus tratamentos. Compromisso de todos nós divulgar informações cientificas sobre o assunto e desmistificar as mídias distorcidas que estão disponíveis para a maioria da população.
O Dr Argyris Stringaris participou do Congresso expondo seus diversos estudos sobre a irritabilidade do TDAH. Foco que trará uma grande mudança no tratamento, pois permitirá entender os problemas emocionais que envolvem o portador de TDAH. Diferenciar a irritabilidade das principais comorbidades como transtorno bipolar, depressão e Transtorno Desafiador Opositivo é difícil, porém existem certas características que nos ajudam a delimitar estas fronteiras. Sendo o tratamento diferente em cada caso específico.
Um ponto particularmente importante é delimitar se a irritabilidade é realmente do portador do TDAH ou de seus familiares que convivem. Pois muitas vezes, a percepção dos conviventes é tão pessimista ou tão reforçadora negativamente que não permite uma boa resposta ao tratamento. Por isso foi reforçado diversas vezes a importância da orientação e suporte terapêutico familiar.
O Dr. Luis Rodhe contribuiu com uma explanação sobre as principais mudanças dos critérios diagnósticos do TDAH que acontecerão com o DSM-V, previsto para 2013. Mudanças principalmente para o TDAH em adultos, que especificará os critérios de impulsividade, emocões e funções executivas.
Ênfase novamente sobre o constructo dimensional da doença. É possível que todos na população tenham os mesmos genes de TDAH, a grande diferença está na expressão e combinação destes genes. Somos todos hiperativos em algum grau.
Outro ponto importante de discussão é sobre a memória operacional de trabalho que é diferente de atenção. Apenas 1/4 dos TDAH apresentam esta dificuldade e muitas vezes é confundida com desatenção, atrapalhando uma abordagem mais especifica de tratamento.
Exclusivo para médicos foram as mesas redondas sobre farmacologia avançada e tratamentos combinados.
Excelentes e elucidativas discussões.
O Dr. Carlos Salgado (atual presidente da ABEAD - Associação Brasileira de álcool e drogas) abordou o tema: TDHA, COMORBIDADES E PERSONALIDADE.
Uma linda explicação da cascata de desinibição comportamental e traços de personalidade. Isto nos faz entender melhor as dimensões de personalidade, os subtipos de TDAH e a gravidade.
Afinal o TDAH está frequentemente associado ao uso de substãncias psicoativas. Entender estes pontos é fundamental para uma abordagem mais adequada ao tema.
Como o congresso foi para o público geral, encontramos diversos familiares e portadores de TDAH. Diversas palestras abordando assuntos que todos nos defrontamos diariamente não poderiam faltar. Especial atenção ao tema: TDHA E O CASAMENTO. Assuntos, tais como: Casais com TDAH com filhos, A esposa com TDHA, Personalidade, TDAH e casamento; foram abordados brilhantemente.
Ainda vou escrever em detalhes sobre o assunto. Mas resumindo, a grande missão do companheiro(a)ou portador do TDAH: exercitar a cooperação, ouvir o outro, esperar com paciência, prestar atenção ao outro, inibir a agressividade, cuidar da manutenção do casamento. O maior dilema do companheiro do TDAH é o "sentimento de ser abandonado ou esquecido", enfrentar este fato com perseverança é o grande desafio para o amadurecimento do relacionamento. Quanto mais orientação e entendimento sobre o TDHA, mais fácil é o entendimento deste dilema. Assim como entender o "vazamento verbal", a "desorganização", e a tendência de "viver o presente" faz ao invés de criar rótulos de "preguiçoso", "prolixo", ïmaturo; melhorar a comunicação e aumentar a capacidade de resolver conflitos.
Além do congresso, aconteceu o Ëncuentro Latino Americano de TDAH", formado pela Liga Latinoamericana del TDAH. Liga responsável pelo consenso de TDAH na América Latina.
Finalmente, o último dia foram várias discussões sobre as diferenças diagnósticas e a comorbidade do TDAH e Transtorno Bipolar. Foco na desregulação do humor que ocorre no TDAH e as diferenças da instabilidade do humor do Transtorno Bipolar. Consequentemente, como tratar a desregulação do humor.
Particularmente, foco do meu interesse, foi intensamente discutido TDAH em adultos e seguimentos de pesquisas no ambulatório de TDAH de Adultos coordenado pelo DR. Eugenio Grevet. Abordagem mais especifica as comorbidades de Transtornos de ansiedade e depressão e transtorno de oposição.
Enfim, o congresso foi excelente e aguardo os próximos que ainda virão.
TDAH - UM COMPROMISSO DE TODOS.














